Friday, June 27, 2008

Minas Gerais domina ranking no uso ilegal de carvão vegetal


Crédito: www.flickr.com

Das sessenta siderúrgicas multadas na operação de combate ao uso ilegal de carvão vegetal, realizada pelo Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, 55 são mineiras. Segundo o diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas – IEF, Humberto Candeias Cavalcanti, esses elevados números se justificam porque Minas Gerais tem um monitoramento superior ao de outros Estados brasileiros.

A grande demanda de seu parque siderúrgico fez de Minas Gerais o maior produtor e consumidor nacional de carvão vegetal, registrando gasto de cerca de 22 milhões de metros de carvão (mdc/ano). Do carvão originado em Minas 30% é proveniente de floresta nativa e 80% de floresta plantada, o que corresponde a 1,3 milhão de hectares de florestas plantadas (maior parque florestal do Brasil). Além disso, para suprir suas necessidades, as siderúrgicas mineiras adquirem cerca de 7,8 milhões de cargas de carvão, derivadas do Paraguai e de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Piauí e Paraná.

O diretor do IEF assegura que as 80 siderúrgicas que atuam em Minas Gerais são protocoladas e monitoradas por um sistema eletrônico, em funcionamento há três anos. A informatização permite ao IEF criar contas correntes para fornecedores de carvão (carvoarias), controlar origem e consumo da madeira e saber quando o produtor mineiro zerou sua cota de fornecimento. No entanto, conforme Humberto Candeias, o sistema só permite controlar chegada, consumo e produção de carvão em território mineiro. “As informações que registramos são repassadas ao Ibama e a outros estados da federação, mas não temos como monitorar a produção de carvão em outros estados. Foi a organização on-line do IEF que possibilitou as infrações, baseadas em cálculos e identificações de divergências existentes entre o banco de dados e as notas fiscais”, disse o diretor, explicando como foi possível ao Ibama aplicar os R$ 414,7 milhões em multas pela compra de carvão ilegal.

Propostas de combate à exploração ilegal

Além do sistema informatizado, o diretor garante que os fiscais devem continuar a vigilância aos fornecedores nas portas das siderúrgicas mineiras, conferindo a carga dos caminhões e os documentos de origem florestal (DOF’s). Para fechar o cerco à comercialização ilegal, Candeias propõe que o Ibama complete a base de dados on-line e exija que os demais estados brasileiros também criem sistemas de contas correntes e disponibilizem informações sobre origem e consumo de carvão vegetal em seus territórios.

O IEF promete instalar chips para monitorar, via satélite, as rotas nacionais de carga e descarga dos caminhões de carvão que abastecem o Estado e apresentar à Assembléia Legislativa de Minas Gerais alterações para a Lei 14.309/2002. Atualmente, essa lei permite que as siderúrgicas usem 10% de mata nativa para produzir carvão, sujeitando-as à reposição simples do volume explorado e, nos casos de exceção dos 10%, a reposição florestal é feita em dobro. A proposta é que possa haver uma redução gradativa nessa cota de exploração de mata nativa, até que a autorização permita apenas o uso de resíduos, ou seja, de 5% de produtos vegetais, e que 95% do carvão vegetal utilizado na siderurgia seja proveniente de florestas plantadas.

Ainda de acordo com Humberto Candeias, as áreas de maior pressão de desmatamento no Estado estão localizadas no Noroeste de Minas, nas cidades de João Pinheiro, Paracatu, além do Vale do Jequitinhonha e região Norte, nos municípios de Bonito de Minas e Januária. O diretor disse que, para combater estes focos, o ‘Pacto de Sustentabilidade’, proposto ao governo do Estado, vai ampliar esforços para plantios de florestas em outras áreas de Minas Gerais. “Até 2002 atingimos cerca de 70 mil hectares plantados, em 2003 a taxa de plantio chegou a 150 mil hectares no ano e o ritmo de desmatamento da Mata Atlântica em território mineiro caiu 66% nos últimos cinco anos. Esses dados simbolizam uma melhor regularização e redução da pressão antrópica no estado“, ressaltou o diretor.

Por Georgiana de Sá

Sunday, June 15, 2008

Momento de poesia

Gostar é simples assim
Gostar é simples assim
Ares de contemplação
Na cegueira dos mais sublimes sentimentos humanos
Mais que os manjares dos ricos
É o inconfundível cheiro do café ainda a passar
É gosto de fruta madura
A imagem da mesa posta
O cheiro das manhãs frescas de verão
/como se as manhãs tivessem cheiro/
O mágico fascínio de coisas simples e cruas
Autênticas
É o descanso de um abraço
No soberano espaço de um olhar
É um querer
Um prazer sem sentido
Santa Maria da Simplicidade
Perdoai aqueles que não sabem
Da graça em abundância
Do supremo luxo
Que é o simples gostar
(Por Georgiana de Sá)
Imagem: http://www.flickr.com

Friday, June 13, 2008

MISTÉRIO NO SOLAR

Deu quem é o vulto? Posso ver apenas sombras e pecados.
Por Georgiana de Sá

Essa é a história de uma operação que correu em segredo há muito tempo atrás aqui no Brasil. Foi quando eu servia como costureira no solar de dona Domitília de Castro e Canto Melo, a marquesa de Santos, amante preferida do imperador Dom Pedro I. Nessa época, descobri que além de lidar bem com agulhas e linhas eu era ótima investigadora. Também, com tantos ladrões e nem uma prisão! Mas o fato é que descobri o tal larápio. Primeiro, deixa eu me apresentar. Fui batizada como Etelvina. Desenvolvi, na época áurea da alta-costura francesa, o dom de saber o modelo adequado para cada pessoa, razão das famílias fidalgas requisitarem meus serviços.

Quando ocorreu o primeiro furto foi acionada a guarda real. A seção de inteligência para investigação sigilosa fez levantamentos superficiais no solar e logo desistiu, considerando o fato ocorrido sem nenhuma importância especial. No entanto, a polícia da corte não previa que os pequenos furtos fossem continuar. Um dia o sumiço de uma anágua sem elástico da marquesa, no outro as plumas francesas que haviam sido esquecidas sob a cama. Depois, um corte de veludo retalhado de um metro, avaliado em oito contos de réis. E, para completar, na semana seguinte, desaparecem no aposento da marquesa três sobretudos de Dom Pedro, capas importadas da Inglaterra.

O furto dos sobretudos, como uma bomba, foi motivo mais que suficiente para alarmar até mesmo o imperador. Os sete funcionários da coroa, a serviço da amante real, tiveram que desembolsar o valor do prejuízo, inclusive eu fui lesada.

Enquanto a infame e misteriosa presença continuava em seu esporte de surrupiar, nas horas vagas eu visitava lojas de moda e cabeleireiros. Procurava manter-me atualizada e gostava de observar com discrição a influência da moda francesa entre as damas e nobres cavalheiros.

Os dias se passaram e, sem comentar com ninguém, cheguei à seguinte dedução:

1. Os guardas da coroa não tinham acesso aos aposentos da marquesa, e, além disso, nenhum deles roubaria uma anágua sem elástico.
2. O larápio dos sobretudos devia ser da confiança de dona Domitilia.
3. Alguém capaz de vasculhar gavetas e roubar anáguas da amásia do imperador era, sem dúvida, muito ousado, com a exata mentalidade para roubar plumas francesas, um metro de veludo ou três sobretudos ingleses.
4. O larápio das plumas era o mesmo das outras coisas e realizava seus furtos nos aposentos do solar, abusando da boa fé da marquesa (podiam ser os serviçais da limpeza).

Resolvi fazer um teste. Entravam na sala de costura, além de mim, apenas os serviçais da limpeza para retirarem o pó. Deixei como que esquecido na mesa de costura um par de meias de seda. Passaram-se três dias e as meias continuavam na mesa. Quem fazia sumir as peças no quarto principal não era o pessoal da limpeza.

Outra bela surpresa! Do guarda-roupa da marquesa sumiram doze robes de chambre. Os funcionários do solar estavam atônitos. Foi chamada novamente a guarda imperial e todos os serviçais interrogados, sem resultados.

Diante de tudo o que ocorrera, em certa tarde, ao final das costuras, fui chamada à cozinha e revistada por uma senhora que trabalhava na guarda. Que acinte, provocação, picuinha, insulto, desfeita, afronta. Não conseguia achar a palavra exata para tanta desconsideração. Isto se tornara uma humilhação intolerável. Nesta tarde eu tive uma idéia diabólica. Fui até o jardim e colhi um cogumelo psilocibino, fungo alucinógeno que mantinha escondido entre flores silvestres. Cortei-o em pequenos pedaços e retornei ao meu quarto. Peguei um delicioso croassaint de chocolate que recebi de uma amiga da cozinha, sobra do chá da tarde da marquesa, e com o canivete fiz um furo, introduzi o cogumelo alucinógeno, embrulhei e guardei em minha bolsa de costura.

No dia seguinte, a patroa havia saído para um banquete. Antes de recolher as tesouras, num momento em que ninguém olhava, deixei o croassaint junto ao criado-mudo no dormitório da marquesa por cima de um vestido de seda vermelha, tipo de bordado sobre fios contados de ouro e prata. Usei um dos pratos do lindo e raro conjunto de peças em fina porcelana, outro presente do imperador à sua favorita.

Esta noite eu não conseguia dormir. Virava de um lado para o outro na cama. Não conseguia pensar em outra coisa senão na cena emergente. No comilão guloso que dificilmente resistiria. O engraçado é que eu parecia sentir a mesma loucura, o querer incontrolável, o persistente desejo que o gatuno teria diante da chance de se apossar do que é do outro. Vaidade, inveja, gula...pecados nunca andam sozinhos...Cansada de tanto pensar apaguei a luz. Não sei quanto tempo se passou, mas não dormi.

Quando retornei ao solar, logo à porta, disse-me o filho da cozinheira:
-Senhorita Etelvina, já sabe que acharam o larápio?
Com o susto, deixei cair uma das tesouras no chão.
- Sim?
- Era a governanta-chefe.
- A governanta-chefe?
- Os serviçais ouviram gargalhadas maníacas e encontraram-na rodopiando pelo sombrio corredor. Chorava e ria ao mesmo tempo, como louca. Gritava: ‘Amo o imperador. Amo o imperador’!”... O vestido bordado a ouro estava enroscado em baixo dos babados de seu uniforme.

O mistério foi enfim revelado. Na verdade, a governanta quando estava disposta a furtar da marquesa, entrava no aposento com o uniforme sem as anáguas e escondia as peças por baixo da saia. Naquela noite, além de tentar surrupiar o vestido, escondeu dentro de seu corpete um diadema incrustado de brilhante, que Dom Pedro havia oferecido de presente à marquesa. Comprovou-se que debaixo da saia rodada cabia folgadamente plumas, anáguas e até sobretudos enrolados.
Com a descoberta, a guarda do imperador não levou adiante as investigações para descobrir quem deixara o croassaint alucinógeno no quarto da marquesa.

Nesse dia, todos os serviçais sentiram-se aliviados, inclusive eu. Mas, uma nova onda de intrigantes furtos recomeçou no solar. Isso, já é outra história...

(Inspirado no Conto “O Mistério dos Três Sobretudos”, de Roberto Arlt) Luxúria, gula, inveja, ira, vaidade, avareza, preguiça. Os sete pecados de Pandora estão para as tragédias humanas como a lua cheia está para o lobo uivante. É só mexer na misteriosa caixa e tudo vem a lume...

Thursday, June 05, 2008

Cidadão Osmar

Na trilha da consciência ambiental



Osmar Prado fez várias novelas, peças de teatro, minisséries e filmes. Na TV, o ator deu vida a inesquecíveis personagens, como ‘Sérgio Cabeleira’, que se sentia atraído pela lua em ‘Pedra sobre Pedra’ (1992), o tragicômico ‘Tião Galinha’, na novela ‘Renascer’ (1993), e o ‘Tio Margarido’, amante dos pássaros em ‘Chocolate com Pimenta’ (2003). Entre seus mais recentes trabalhos estão a narração do documentário ‘Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá’ (2007), que trata do processo de globalização, e a nova versão de ‘Ciranda de Pedra’(2008), onde interpreta o empresário Cícero Cassini. Para quem já atuou em mais de sessenta produções artísticas, lutar em prol do meio ambiente é o desafio do homem que precisa falar, ler e registrar o mundo real. Nesta entrevista ao Ambiente Hoje, Osmar evidencia a importância de atitudes cidadãs como prática cotidiana e confirma seu interesse em se manter informado para ajudar na preservação ambiental.


Arquivo pessoal do ator

Na trilha da consciência ambiental


Você ‘vestiu a camisa’ na campanha pelo fim do desmatamento na Amazônia e se emocionou na audiência pública que discutiu a transposição do rio São Francisco. O que te motiva a se engajar em causas ambientais?

Tenho preocupação com a realidade, com o que está acontecendo no Brasil e no mundo, e procuro fazer minha parte como cidadão. Acredito que é preciso colaborar, por isso me posiciono em campanhas direcionadas à conscientização, politização, seja de forma efetiva ou com uma atuação distanciada. O que me preocupa é o destino de nossa casa em comum, o planeta Terra. Onde houver movimentos ou ajuntamentos de pessoas preocupadas com as gerações futuras, que queiram fazer valer a democracia e a ética, quero estar entre elas. Com a preservação do meio ambiente não é diferente, procuro dar sentido e conseqüência à minha visibilidade fortalecendo temas sócio-ambientais.

As novelas têm grande estima do público no Brasil, principal forma de dramaturgia a qual o povo tem acesso. Em sua opinião, como as novelas podem servir de instrumentos para uma nova consciência ambiental?

Mesmo que a indústria da teledramaturgia procure manter hegemonias e não tenha, de um modo geral, finalidades educacionais, pode sim ceder espaços para discussões que interessam a sociedade, como as que envolvem as causas ambientais. Há escapes para articular a conscientização ecológica nas novelas. Glória Perez, por exemplo, gosta de incluir elementos reais em seus romances. ‘O Clone’ tratou de questões como alcoolismo, drogas, conflitos entre culturas e manipulação genética. No caso do intérprete, cabe ao artista fazer bem seu trabalho, dar sentido, abrangência de comportamento para o personagem, livrando-o dos clichês convencionais. Além disso, o artista está vinculado à vida da cidade e pode agir com gestos e atitudes silenciosas, sejam de preservação ambiental ou de respeito dos direitos de todos. Quando eu integrava o elenco da novela Sinhá Moça, me lembro um dia em que esperava na fila do banco e um cidadão me perguntou por que eu estava na fila, se eu era o ‘Barão de Araruna’. Eu disse: sou Barão lá, aqui sou cidadão. É uma forma de explicar que atrás do intérprete existe um homem, com uma vida absolutamente cotidiana e normal.

Você integrou o elenco da minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", que teve como tema a preservação e o desenvolvimento sustentável da região. De quem é a missão de defender a Amazônia Brasileira?

Nós sabemos que a maior parte da Amazônia, valiosa biodiversidade do planeta, está em território brasileiro. Muitos já foram mártires na Amazônia, como o sindicalista e ambientalista Chico Mendes, agora precisamos nos unir contra essas agressões. Neste momento, a preservação da floresta não é só encargo do governo, depende de uma vigilância mundial, da colaboração de todo povo e de amplos movimentos de defesa, tanto nacionais quanto internacionais. O manifesto ‘Amazônia Para Sempre’ foi deflagrado pela colega Cristiane Torloni que, estando com Juca de Oliveira na Amazônia, ficou horrorizada com a devastação ambiental na região. Eu coloquei minha assinatura de adesão e apoio a esse movimento. É importante lutar para proteger esse manancial contra o capital imediato e especulador, que procura extrair lucros rápidos destruindo tudo o que existe pela frente. É preciso resistir ao avanço de exploradores que deixam rastros de abandono, para que os povos indígenas e as comunidades locais arquem com a responsabilidade da devastação ambiental.

Você é vinculado à ONG Movimento Humanos Direitos (MHuD), assina e participa de manifestos que assegurem a preservação do meio ambiente. Qual é a importância de pessoas em evidência, do mundo político, artístico, empresarial ou esportivo, se sensibilizarem com as questões ambientais?

Como cidadão manifesto minha inquietação sobre determinados assuntos. Eu me envolveria em causas ambientais, e com os problemas que lhe são associados, mesmo se não fosse um homem público. Não é o artista em evidência que necessita participar, é o homem comum que precisa se informar e compartilhar. Além de ser uma pessoa pública, sou alguém que tem idéias a respeito do país, do povo e tenta dar sentido ao que pensa. Se eu tenho admiradores do meu trabalho preciso fazer com que entendam que, atrás do artista, existe um homem sujeito a dificuldades, anseios, angústias e sonhos, procurando canalizar isso tudo na construção de uma sociedade mais justa.

Por Georgiana de Sá - Exclusivo para o Jornal Ambiente Hoje (Amda)

CRESCIMENTO URBANO E BIODIVERSIDADE

Degradação ambiental além das metrópoles

Por Georgiana de Sá - Matéria exclusiva para o Jornal Ambiente Hoje (Amda)
Fonte da imagem: http://www.flickr.com/photos/physio/2416092459/sizes/l/

Poluição, rios malcheirosos e abarrotados de detritos, aglomerado de prédios e cada vez menos áreas verdes, congestionamentos e péssima qualidade do ar, lixo que causa enchentes e entope bueiros, escassez de água e energia elétrica. Essas são apenas algumas das conseqüências da industrialização desenfreada e da falta de planejamento nos grandes centros urbanos. Em sua mais recente pesquisa sobre a “Situação da População Mundial”, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que em 2008, 3,3 bilhões dos 6,6 bilhões de seres humanos passarão a viver em áreas urbanizadas, chegando a cinco bilhões em 2030. Em se consumando o que as pesquisas indicam, assegurar a sustentabilidade ambiental e encontrar um modelo de metrópole que consiga aliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental é o desafio do século XXI.
Fonte da imagem:http://www.flickr.com/photos/mitchellk/1477395114/sizes/o/
Bombaim - Índia

Os seis países mais povoados da Terra (China, Índia, Estados Unidos, Indonésia, Brasil e Paquistão) somam 3,3 bilhões de habitantes, mais da metade do total mundial. Na China, país com 1,3 bilhão de pessoas, embora só as famílias do campo e de minorias étnicas possam ter mais de um filho, a população em sua capital já ultrapassou os 17 milhões, conforme dados da agência oficial chinesa “Xinhua”. Seguindo na contramão da sustentabilidade ambiental, em Pequim, torres, shoppings e chaminés funcionam a todo vapor e milhões de carros invadem as ruas a cada ano, seguindo o padrão capitalista de consumo.


Nova Déli - Índia

A Índia é outro país que segue elevando sua taxa de natalidade. Sua população conta com mais de 1,1 bilhão de habitantes. O último relatório do governo indiano calcula que o aumento populacional deve chegar a 300 milhões nos próximos anos, elevando-se a 1,4 bilhão de pessoas até 2026. Já o Brasil, quinto mais populoso, registrou 183,9 milhões de brasileiros, segundo “Contagem da População de 2007” do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo estudos publicados pelo WWF-Brasil, a população do planeta já está consumindo 20% a mais dos recursos naturais disponíveis e seu crescimento aponta para possibilidades sombrias. Os seres humanos concentram-se nas grandes cidades e cada vez mais, perdem a capacidade de ligar seus hábitos de consumo à exploração dos recursos naturais. Suas ‘pegadas ecológicas’ (medida de impacto ambiental), estendem-se além dos limites das cidades.

De acordo com o Juiz de Direito aposentado Antônio Silveira Ribeiro dos Santos, em seu artigo intitulado ‘Áreas urbanas e biodiversidade’, a explosão demográfica dos centros urbanos atinge a biodiversidade local e ao redor por reflexo. A cidade se torna um ecossistema que se alimenta de energia externa e o impacto de sua degradação pode ser notado em ecossistemas naturais distantes como, por exemplo, florestas e rios que recebem a sua poluição ou se tornam fornecedores de recursos. O estudioso destaca, entre os fatores que colaboram para a perda da biodiversidade, o descontrolado uso do solo para edificação; os danos causados à atmosfera e a água pelos resíduos tóxicos dos automóveis e indústrias.
A superintendente Executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente – Amda, Maria Dalce Ricas, durante oficina realizada no II Congresso Mineiro de Biodiversidade, o Combio, alertou que a natureza não é eterna provedora de recursos naturais ilimitados. A superintendente disse ser necessário estabelecer prioridades entre desenvolvimento urbano e meio ambiente. “Empreendimentos econômicos de grande porte são, muitas vezes, indutores de degradações em áreas de relevância ambiental”, exemplifica.

De acordo com a ambientalista, o crescimento populacional do planeta é realmente uma bomba relógio. “Dizer, por exemplo, que as desigualdades sociais no planeta seriam resolvidas apenas com distribuição de riqueza é simplificar um problema super complexo, ignorando a relação consumo x disponibilidade de recursos x crescimento populacional”.

MORADIA E MEIO AMBIENTE
Conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em 2006 foram lançadas 1.939 unidades residenciais em Belo Horizonte e 3.037 em 2007. Contudo, existem ainda as moradias inadequadas que, segundo as apurações do Observatório de Políticas Urbanas da PUC Minas, equivalem a 53% do total da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Os dados revelam que a cidade possui déficit habitacional (expressão que se refere à quantidade de cidadãos sem moradia adequada) de 53.201 unidades.

As habitações construídas em áreas de encostas de morros, ou que margeiam ribanceiras e córregos, geram problemas sociais e ambientais, tais como enchentes, deslizamentos, soterramentos e poluição hídrica. Para a professora Denise de Castro, doutora em Ciências Humanas e Sociologia e coordenadora do Núcleo Meio Ambiente e Urbanismo PROEX/PUC Minas, o crescimento urbano aleatório, ou parcialmente planejado, é ponto de partida para problemas ambientais. Ela cita como exemplo o tratamento inadequado em áreas de destinação de resíduos, tanto em atividades extrativistas (coletas de produtos de origem animal , vegetal ou mineral ), quanto na produção diária de lixo doméstico e industrial. “Resíduos sólidos e líquidos são fontes de degradação. Podem-se somar ainda, as precárias condições de vida em regiões de favelas, aglomerados, vilas e bairros que concentram populações desprovidas de saneamento urbano e de adequada atenção à saúde pública”, observa.

Casas do Aglomerado da Serra em Belo Horizonte


Belo HORIZONTE
Os problemas ambientais da ‘Cidade Jardim’
Fonte da imagem: http://www.flickr.com/photos/carlosweick/225642825/sizes/o/
Belo Horizonte- Santa Efigenia

Conhecida como “Cidade-Jardim”, devido ao seu clima agradável e por estar cercada pela Serra do Curral, Belo Horizonte foi planejada no final do século XIX, pelo engenheiro Aarão Reis. Seu projeto inicial separava o setor urbano do suburbano pela Avenida do Contorno. Porém, sem maior controle ou planejamento, a capital mineira se expandiu para além dos limites de seu traçado e hoje é mais uma polis inserida no preocupante contexto ambiental que atinge o resto do mundo.

De acordo com o IBGE, o total de moradores de BH passou de 2,238 milhões de pessoas, em 2000, para 2,412 milhões em 2007 (aumento de 7,8%). O antigo reino dos pomares sofre as conseqüências do crescimento populacional, que inclui o avanço acelerado da frota de veículos particulares, o aumento na poluição sonora e atmosférica e a perda de área verde, que cede espaço para ruas, avenidas e edifícios.

Na opinião do arquiteto Eduardo Guimarães Beggiato, da B&L Escritório de Arquitetura, Belo Horizonte, como outros centros urbanos, reúne muita gente num espaço em que não cabe todo mundo. “O ideal é que toda a gente se conscientize da importância de preservar, organizar e valorizar o espaço urbano”, considera. A B&L participou de projetos como o Boulevard Arrudas e do Programa de Recuperação de Fundos de Vale e Leito Natural (Drenurbs), que prevê a despoluição de 140 quilômetros de cursos de água, 73 córregos e a criação de parques.


Fundação Municipal de Parques de Belo Horizonte
Parque Municipal Aggeo Pio Sobrinho
Av. Prof. Mário Werneck. Bairro Buritis

Os parques recuperados no projeto são, comumente, espaços abandonados, ocupados por colchões e sofás na beira de córregos poluídos, e que estão sendo entregues à população. “Quando se despolui um rio, a natureza responde rapidamente. Poucos tempo depois aparecem peixes, vegetação ao redor, borboletas e pássaros”, diz Beggiato, destacando a importância de favorecer os ciclos de vida de espécies animais e vegetais para resgatar o equilíbrio ecológico do ambiente urbano.

As transformações arquitetônicas da cidade, segundo o arquiteto, devem considerar questões relacionadas ao meio ambiente. Ele conta que o Boulevard surgiu como compensação ambiental pelo fechamento do canal do Ribeirão Arrudas e implantação de pistas mais largas. “Foram plantadas mais de 600 árvores em idade adulta. Criamos uma alameda de árvores que daqui a dez ou quinze anos vai dar um retorno ainda mais visível. A árvore transforma a cidade em local de ficar, não só de passar”.

Fundação Municipal de Parques de Belo Horizonte
PARQUE 1.º DE MAIO
O presidente da Fundação Municipal de Parques de Belo Horizonte (FMPBH), Ajalmar José da Silva, explica que Belo Horizonte conta com 53 parques, distribuídos em uma área aproximada de sete milhões de metros quadrados. Para ele é fundamental assumir áreas públicas abandonadas e segurar ao máximo as áreas verdes que ainda temos. Ele considera que espaços de integração social, como praças, parques e jardins, determinam a qualidade de vida na metrópole e permitem compatibilizar carro, pedestre e espaço verde. Ajalmar cita o exemplo das praças recentemente criadas nas avenidas dos Andradas e Jose Cândido da Silveira, que foram revitalizadas e arborizadas.
Outra grande aposta do presidente é a implantação do Parque Municipal Paredão da Serra do Curral, que, para ele, será um dos parques mais freqüentados de BH. O parque já começou a ser implantado pela prefeitura e prevê a recuperação de trilhas e mirantes, criação de praça, pista de caminhada, gradis de proteção, escadas e guaritas de vigilância.

Para a coordenadora do PROEX/PUC, Denise de Castro Pereira, o governo precisa estar atento a exploração econômica da mineração e às agressões ambientais em Áreas de Proteção Ambiental (APA) situadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “A atenção aos impactos das atividades minerárias e industriais, em geral, é tão importante quanto a vigilância aos danos resultantes do uso desordenado do espaço, como é o caso da expansão dos condomínios fechados”, diz, se referindo a ampliação de condomínios de luxos na região metropolitana de Belo Horizonte conhecida como APA Sul, que já sofre com as atividades de extração mineral.

INSUSTENTÁVEL AUTOMÓVEL
O cenário de bagunça no trânsito das grandes cidades

As manchetes dos principais jornais do Brasil e do mundo abordam o problema do trânsito nas metrópoles. Na demanda do escasso espaço público, o carro não é simplesmente um meio de transporte, representa o rito de passagem na trajetória de uma pessoa bem sucedida. É o senhor de status na escala evolutiva: bicicleta, motocicleta e automóvel. A simbologia que cerca o automóvel aquece uma indústria que movimenta bilhões de reais. Só a fábrica da Fiat em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, atualmente produz três mil carros a cada dia útil. Além disso, sua cadeia de produção envolve praticamente todos os recursos naturais disponíveis e as matérias primas deles decorrentes: combustíveis fósseis, minério, água, madeira, aço, energia. Tudo isso, garante o sucesso das indústrias de petróleo, e agora do biocombustível, substituto que está demandando a ocupação de áreas florestais, provocando desmatamentos e destruindo ainda mais a biodiversidade.

A superintendente da Amda lembra mais uma vez a relação consumo x recursos naturais x crescimento populacional. “Sob parâmetros de justiça social, todos os habitantes do planeta teriam direito a usufruir do automóvel. chineses, indianos, africanos, todos devem ter o mesmo sonho. Mas, está provado que não há recursos naturais suficientes para ‘realizar esse sonho’. por outro lado, a produção de automóveis no Brasil, por exemplo, é citada como parâmetro de desenvolvimento no país. Onde chegaremos?”, pergunta ela.

Segundo dados do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran), a capital mineira tem 868.773 condutores para 993.351 de carros, motos, vans, ônibus, caminhões e outros modelos. De acordo, com Rogério Carvalho, assessor da Diretoria de Planejamento da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte S/A (BHtrans), no ano passado a frota de automóveis da cidade apresentou crescimento de 8,41%. “Não há hoje no mundo nenhum centro urbano preparado para isso. Estocolmo e Cingapura estipularam taxas para os veículos que circulam no centro, São Francisco (EUA) também adotou o pedágio urbano como forma de racionalizar o uso do carro. Da mesma forma, em Londres, desde 2003, a cidade conta com essa alternativa. Mesmo cidades que conseguiram tornar eficiente o transporte público enfrentam problemas com o aumento na frota de automóveis particulares”, explica.
Foto: Georgiana de Sá
Rogério Carvalho(BHtrans)

Na tentativa de solucionar o caos no trânsito de Belo Horizonte, a prefeitura lançou em maio último, o ‘Programa de Ações de Mobilidade para 2008’, que prevê a melhoria do tráfego nas principais regiões da cidade. De acordo com o programa, serão realizadas 55 intervenções e 106 vias devem ser pavimentadas e sinalizadas. Além de desafogar o trânsito, a prefeitura pretende facilitar o transporte de passageiros com um sistema de comunicação, adequando painéis eletrônicos de informações para os usuários nos abrigos e ônibus, o que permitirá o acesso do público aos horários de chegada e saída dos coletivos, também monitorados pela Internet.

Em matéria publicada no jornal “Estado de Minas”, em 12 de maio último, o consultor Frederico Rodrigues, doutorando em engenharia de transporte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentou dados sobre o transporte público em BH e defendeu o uso do ônibus como solução para os congestionamentos. Segundo o consultor, a cidade tem 1,5 milhões de pessoas que usam ônibus diariamente e, se a este número se somassem mais 420 mil passageiros, os congestionamentos e gastos com combustíveis se reduziriam a 16%, além da queda na emissão do monóxido de carbono, que seria de 2%.

Para o assessor da BHtrans, a melhoria do transporte coletivo se torna medida mais econômica e eficaz que soluções paliativas, como pedágio urbano e rodízio de veículos, ou mesmo como a construção de pontes, viadutos, e túneis. Da mesma forma, o arquiteto Eduardo Beggiato concorda que construções de mais avenidas só tendem a aumentar a demanda de recursos. “Ainda que o espaço urbano fosse projetado só para os carros, se derrubássemos todas as árvores ou demolíssemos todos os prédios, não resolveríamos o problema no trânsito, que está diretamente ligado à relação humana no ambiente da cidade”, diz, advertindo da necessidade de mudança de padrão de consumo.



“Sou sua amiga bicicleta. Faz bem pouco tempo entrei na moda pra valer”.A mensagem do compositor Toquinho na música ‘A bicicleta’ nunca esteve tão atual. Considerada meio de transporte rápido e muito mais barato que o automóvel, promete amenizar o drama dos congestionamentos.

As bicicletas estão demarcando espaços nas ruas de várias cidades do mundo com uma articulação sustentável e integrada a outros meios de transporte. O sistema de aluguel de bicicleta de Barcelona, na Espanha, começou em 2007 com 1.500 bicicletas e 90 mil utilizadores, que pagavam 24 euros anuais pelo uso do serviço. Em 2008, a prefeitura colocou à disposição 200 bicicletas públicas para que passageiros do transporte coletivo pudessem completar caminho após o uso do metrô ou ônibus. A prefeitura de Barcelona diz que serão mais de 3.000 bicicletas espalhadas nas estações até o final do ano.

O prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, declarou guerra aos automóveis e lançou o programa público de ciclovias batizado de ‘Velib’ - contração de "vélo" (bicicleta) e "liberté" (liberdade) - que prevê a redução da circulação de veículos em 40% até 2020. São mais de vinte mil bicicletas públicas em vários pontos de aluguel, distribuídos ao longo da cidade em quase 300 estações. “O usuário pode pegar a bicicleta na estação, se deslocar e devolvê-la em outra estação. Existe um cartão eletrônico para retirar a bicicleta de um lugar e devolver em outro. Se o deslocamento demorar menos que meia hora, o empréstimo é gratuito. Na segunda meia hora se paga um euro, na terceira meia hora são dois euros. O aumento é progressivo para incentivar a rotatividade”, explica Humberto Guerra, analista de sistemas e apaixonado por bicicleta.

Humberto, que já circulou em Paris de bicicleta, destaca que o automóvel é pouco eficiente, gasta quase toda sua energia para transportar o próprio peso e produz cerca de 70% da poluição do ar no ambiente urbano. Para o ciclista, normalmente as pessoas tomam decisões relativas à mobilidade contando com o automóvel e não se dão conta que suas opções serão impactantes para o meio ambiente. “Escolher onde morar e estudar também pode equacionar problemas de locomoção”, aconselha.

O analista mora a um quilômetro de distância do trabalho e realiza esse trajeto caminhando, abriu mão de ter um carro e adquiriu uma bicicleta dobrável, para tentar contornar um dos grandes problemas apontados pelo ciclista, que é o fato da cidade não ter lugar seguro para deixar a bicicleta. O mineiro faz parte do cicloativismo e se dedica a ações em prol da bicicleta, participa de ações junto com a BHtrans, como no ‘Dia Sem Carro’, faz panfletagem nas ruas e tenta conscientizar as pessoas da viabilidade da bicicleta como meio de transportes para deslocamentos curtos.

O projeto ‘Pedala BH’ pretende criar ciclovias para integrar bicicleta e transporte coletivo, aproveitando locais da cidade onde a topografia é favorável. Estão previstos bicicletários para estações de ônibus e metrôs, inicialmente em Venda Nova, Barreiro e São Gabriel. De acordo com a Bhtrans, o projeto tem como meta oferecer 18 quilômetros de ciclovias, incentivar o uso de bicicleta e criar condições seguras para a circulação.

Friday, May 23, 2008

NOVA RELAÇÃO DE CONSCIÊNCIA ENTRE HOMEM E NATUREZA

Fotos: www.flickr.com

Bate Papo no Sisema:
Considerações sobre ética ambiental

“Desejo e dinheiro são topografias muito próximas, mas o mercado não é o senhor da cidade”, analisou o filósofo e professor José de Anchieta Corrêa durante mais uma edição do fórum de discussões "Bate-Papo no Sisema - Discutindo a Política Ambiental do Estado”. O encontro aconteceu nessa segunda-feira (19) e promoveu discussão sobre a ética ambiental.



O filósofo defendeu mudanças de paradigmas em um mundo que, segundo ele, precisa criar tecnologias mais brandas e menos poluentes. De acordo com José de Anchieta, para formar novos hábitos de vida e incentivar a participação da população na política da Agenda 21 é imprescindível desenvolver estratégias de ação, que vão além dos investimentos burocráticos.



“A ética é tarefa social, histórica, inventiva e inconclusa. Ética envolve comunicação, responsabilidade, justiça, virtudes e principio de vulnerabilidade, em um mundo que vai ser sempre plural”, explicou. O professor também reconheceu que, para implementar mudanças nos meios de consumos das fontes energéticas e gerar novos hábitos de vida, é imperativo conhecer as diferentes formas culturais vigentes no país e a relação do povo com a natureza.






Durante o bate-papo, o filósofo esclareceu que, enquanto a moral se subordina às normas sociais, a ética é ditada pelo desejo e prevê autonomia. Disse também que a ética ambiental age de forma antecipativa e depende de conhecimento para realização do ideal desejado. O expositor lembrou que, para elaborar estratégias eficazes em defesa do meio ambiente, é importante refletir sobre complexos interesses econômicos, saberes científicos e geográficos, afrontar experiências, colocar em cheque medidas e encontrar soluções. “É preciso astúcia para tratar dos assuntos ambientais”, advertiu.



Eduardo Nascimento, do Conselho de Política Ambiental – Copam, analisou o processo de construção da ética ambiental como conjunto de dimensão individual e coletiva. “Devemos questionar se o crescimento econômico atual, motivado pela maré global, está apoiando cidadãos ou criando consumidores. A ética ambiental é um desafio que possibilita alcançar uma sociedade mais justa, tendo como pressuposto a gestão participativa”, disse o debatedor, concluindo que não pode haver blindagens para a participação social nas decisões políticas sobre o meio ambiente.



Eduardo Tavares, do Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH, concordou que a preservação ambiental depende da ética antecipativa e de planejamentos, enfatizando a importância de ações internas, consolidadas no respeito que todo homem dever ter a si próprio e ao outro. “A ética é livre, mas, não libertina”, opinou o conselheiro.



Por Georgiana de Sá - Exclusivo para o site da Amda - Associação Mineira de Defesa do Ambiente

Implantação de mineradora em discussão

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Audiência pública discute estudo de impacto ambiental da MMX
O encontro aconteceu em março último, na Quadra Poliesportiva de Conceição do Mato Dentro/MG, e reuniu cerca de mil pessoas para discutir licenciamento ambiental para extração de minério de ferro pela MMX Minas-Rio na serra do Espinhaço, nos municípios de Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro.



Presente na audiência, a superintendente executiva da Amda, Maria Dalce Ricas, observou que abordagens de aspectos sociais e políticos tenham merecido mais destaque por parte de interventores que os impactos ambientais da mineração. “Um bom número de inscritos mostravam intenções políticas e priorizaram ataques à administração municipal. Aspectos ambientais propriamente ditos foram pouco levantados. Muitas intervenções apontaram problemas sociais, econômicos, de saúde e segurança, alguns realmente muito interessantes e que têm de ser bem avaliados e discutidos” disse, enfatizando, que a avaliação de custos/benefícios ambientais do empreendimento é o principal objetivo do licenciamento.

Incoerências no Estudo de Impacto Ambiental
Durante a audiência, a Comissão Pastoral da Terra – CPT entregou documento à Semad com diversas interrogações sobre as análises do EIA/RIMA – Estudo de Impacto Ambiental, apresentadas pela MMX. O documento questiona a incoerência do EIA ao considerar a área de alta relevância para proteção da biodiversidade e concluir pela viabilidade técnica da mineração. Para a superintendente Amda, este é um aspecto que precisa ser discutido. “Não é a primeira vez que isso acontece. Para que definir áreas prioritárias se elas não recebem tratamento diferenciado? Enquanto não houver decisão quanto a isto, os pedidos de licenças continuarão entrando. É direito de qualquer empreendedor de pleiteá-las”.


O Secretário de Meio Ambiente e Turismo de Conceição do Mato Dentro, Luiz Cláudio de Oliveira, aproveitou a ocasião para ressaltar que, independentemente das alterações ambientais negativas que o empreendimento irá causar, a região já sofre com sérios problemas de degradação por queimadas, desmatamentos, invasão de áreas de preservação permanente – apps, pisoteio de gado, tráfico de animais e erosões por motivos diversos. Para discutir problemas ambientais, sociais, econômicos, de saúde, segurança, entre outros, a Prefeitura criou um grupo denominado Comissão Sustentável, do qual participaram, inclusive, funcionários da MMX, tendo gerado um documento contendo 54 itens, protocolado junto à Semad. O documento contém propostas abrangentes, que são dirigidas em grande parte ao governo do Estado, cobrado pela Comissão pela ausência de medidas concretas de apoio à região.


Conflitos gerados pelo uso da água
Muitas entidades manifestaram preocupação com captação da água do Rio do Peixe para transposição, uma vez que, quando a mineradora estiver em funcionamento o rio terá vazão diminuída. O Professor Gabi Fernandes também ressaltou que, com o mineroduto a água pode ficar mais cara para a população local.


O Secretário Luiz Cláudio sintetizou em sua fala que a mineradora reconhece os impactos que deve causar, e se compromete a ser também produtora de água, através da implementação de um projeto de proteção da bacia do Rio Santo Antônio, atualmente prejudicado com desmatamentos, erosões, degradação de nascentes e margens de seus cursos d´água.

Problemas na malha viária
Carlos Eduardo Teixeira Nery, da organização não-governamental (ONG) Sociedade dos Amigos do Tabuleiro, reivindicou melhorias para a malha viária da MG-10. Na audiência, foi a cobrada construção de anel rodoviário para desviar o tráfego da área urbana de Conceição. Para Maria Dalce Ricas, o avanço do asfalto que ligará Belo Horizonte a Governador, passando pela Serra do Espinhaço, é fato preocupante, pois deve gerar potencial aumento do tráfego, inclusive de carretas. Segundo ela, só o desvio do tráfego da área urbana de Conceição não é suficiente. “Esta medida, apesar de fundamental, ainda é pouco. O DER não cumpriu as condicionantes de asfaltamento da MG-10, entre Santana do Riacho e Conceição do Mato Dentro, concedida pelo Copam há mais de seis anos. Existem áreas a serem reabilitadas, duas delas grandes e sem nenhuma sinalização, os mirantes não têm um cesto para lixo e os ‘amantes da natureza’, que param para contemplar a maravilhosa paisagem, jogam o lixo encosta abaixo”, lamentou ela.


Na opinião da superintendente da Amda, as estradas são encaradas apenas como pista de rolamento de veículos e deixam de ser consideradas nos processos de planejamento e licenciamento. Para ela, é preciso considerar os terríveis impactos que podem resultar o tráfego de caminhões e caminhoneiros, por uma das áreas mais importantes ambientalmente e mais belas do Estado, que é a Serra do Cipó. “Em Cardeal Mota, a ponte sobre o Rio Cipó, linda e antiga, está estragada, remendada, e só dá passagem para um veículo”, exemplificou Dalce.

Distinguindo o “bom” e o “mau”
Ramon Rodrigues Ramalho, do Núcleo de Estudos Sobre o Trabalho Humano da UFMG, defendeu que a avaliação dos impactos ambientais da MMX deve priorizar as preocupações sociais e ambientais e não a lucratividade do negócio. “É bom lembrar que o lucro do empreendimento não vai ficar em Conceição do Mato Dentro, muito menos no Brasil. Os donos estão fora do país”, disse o professor se referindo a venda das ações da MMX Minas-Rio para a gigante multinacional Anglo American. Em contrapartida, um procurador da prefeitura de Conceição de Mato Dentro, apresentou protocolos assinados com a empresa, assegurando, entre outros acordos, repasse de R$ 4 milhões para melhorias na infra-estrutura do município, ainda no período de instalação da mineradora.


Na audiência, houve também muita manifestação de apoio da população à instalação da empresa, por causa da possibilidade de geração de empregos. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria Extrativa Mineral de Minas Gerais – Sindiextra, Fernando Coura, a MMX tem potencial para levar o progresso para os municípios envolvidos. “A mineração pode oferecer qualificação profissional e oportunidades para jovens com sustentabilidade ambiental”, disse.
“O progresso bom e ruim caminham de mãos dadas. É preciso investir na segurança da região”, defendeu Marcelo Teixeira, Policial Civil em Conceição de Mato Dentro. Assim como Marcelo, muitos outros manifestantes defenderam soluções para o aumento da prostituição, violência, demanda sobre serviços básicos, cobrando da empresa e do governo estadual medidas para impedir as conseqüências negativas da mineração, o que, na opinião de Maria Dalce Ricas, mostra o nível de consciência do povo com os possíveis efeitos impactantes do empreendimento.


A empresa prometeu preservar a qualidade de vida da população e garantiu compensações para os municípios. A MMX apresentou metas para investir no turismo da Estrada Real, em reservas naturais e agropecuária, além de propor programas como os de recuperação de nascentes, matas ciliares e desenvolvimento da agricultura familiar. Anunciou ainda que deve efetivar planos de proteção aos sítios arqueológicos e controle de emissões atmosféricas.

Incêndios na Serra do Espinhaço

A Superintendente da Amda considerou a importância de expansão das áreas legalmente protegidas e de investimentos em programas de prevenção e combate a incêndios, que vêm destruindo vários quilômetros da Serra do Espinhaço. “Mesmo com as chuvas recentes, que estão tendo pouco intervalo, em um só dia conseguimos avistar dois incêndios, um deles grande. Imaginem quando a seca chegar”.


Avaliando o licenciamento ambiental da MMX Minas-Rio, Maria Dalce considera ser praticamente irreversível a concessão da licença, devido aos compromissos já assumidos entre os governos de Minas e Rio e investimentos já realizados pela empresa, além da expectativa de geração de empregos nos municípios. “Soma-se a isto o fato da região ser classificada como ‘economicamente deprimida’ pelo jargão economista, com outras perspectivas econômicas ainda muito frágeis como o turismo, que está longe de ser atividade expressivamente demandadora de mão-de-obra. Se assim for, nos resta mais uma vez correr atrás de ganhos ambientais, principalmente no que se refere à ampliação de áreas legalmente protegidas”, analisa a Superintende.
Por Georgiana de Sá - Exclusivo para o jornal Ambiente Hoje, da Amda - Associação Mineira de Defesa do Ambiente

Thursday, May 22, 2008

REFLEXÕES SOBRE TELEVISÃO E MÍDIA



O CONTROLE DO MUNDO


Fichamento - Por Georgiana de Sá


Faria.BUCCI, Eugênio; KEHL, Maria Rita. Videologias. São Paulo: Boitempo, 2004



O livro explica como a sociedade burguesa amplia sua busca de heróis, ídolos e seguidores, numa procura que transforma o cotidiano em espetáculo. Nesse processo, os veículos de comunicação são responsáveis pela propagação de reflexos que reeditam a vida real através de reality shows, oferecendo ao público todo tipo de herói. “A mídia produz os sujeitos de que o mercado necessita, prontos para responder a seus apelos de consumo sem nenhum conflito” (BUCCI E KEHL, 2004. p 67). A condição básica para o fetiche da mercadoria e banalização da intimidade, é a “rendição absoluta ao brilho não exatamente dos objetos, mas da imagem dos objetos” (Idem, Ibidem, p 65).



É na exposição constante da individualidade de artistas e famosos e até mesmo de anônimos (Idem), que nasce a espetacularização da imagem. Os indivíduos se tornam consumidores de uma subjetividade que “transforma tudo em imagem. Até o berro” (Idem, Ibidem. p 64). A idolatria cria dependência da imagem do objeto, transformando o ser nesta mesma imagem. Ou seja, pessoas viram ícones, com vozes imorais ou de moralização, e se tornam mercadorias, mesmo sem terem consciência disso. Essa servidão se estabelece numa dependência natural e passa a existir sob o brilho da notoriedade, através de ações que se definem como idolatria, fetichismo e paganismo (Idem, Ibidem).



Em outro aspecto abordado é possível entender o motivo da irrelevância dos aspectos morais, uma vez que o indivíduo já massificado tende a abandonar a moralidade para possuir o objeto. O ser moderno, em seu contínuo desejo de ter o que é do outro, se volta para o valor da coisa desejada, ainda que em detrimento de valores morais. O desejo, dependente sempre do querer alheio, passa a ser compartilhado, estabelecendo a massificação e alienação social, sob a justificativa de que “coisas” podem existir independentes de aspectos morais.



Sennett (APUD Bucc e Kehl, 2004), diz que a preocupação do indivíduo com a exposição da personalidade em público, e com os efeitos que a imagem poderia causar, é episódio do século XVIII, lembrando dos figurinos usados pela corte. Contudo, a modernidade vai além: coroa os cidadãos com a espetacularização da imagem, gerando uma multidão de iguais, sob o domínio do consumo da subjetividade alheia. O indivíduo não deseja por si mesmo, mas, no império da inveja, deseja o que os outros desejam, na dependência do espetáculo que se estabelece entre mercado e meios de comunicação de massa.



No fetichismo da mercadoria, as pessoas se conhecem e se relacionam como produtos à venda e valores de uso (Marx APUD Bucc e Kehl, 2004). Coisas ganham movimento próprio e dominam a vida dos seres, inversão “que nasce com a transformação dos produtos do trabalho em mercadorias” (Idem, Ibidem, p.67). Na continuidade do raciocínio, o livro compara a idéia de fetichismo também em Freud, como aquilo que o médico explicou ser recalque ou negação que planeja substituir objetos de desejo, através do fetiche que, segundo ele, poderia tornar indivíduos perversos, neuróticos ou psicóticos, de acordo com a “realidade psíquica” em que se encontrassem, no materialismo histórico ou na própria alienação social. Freud explica sobre essa angústia de possuir ponderando sobre a castração, “advinda da percepção de que, ‘se eu tenho, estou exposto à possibilidade de perder’ (...) o dinheiro, a potência sexual, o poder, o amor da mulher etc.” (Freud APUD Bucci e Kehl, 2004, p. 69).



Hoje (BUCCI E KEHL), a publicidade investe na produção do espetáculo e o mercado destaca indivíduos como objetos virtuais num gozo coletivo. O corpo-imagem é produto da cultura do objeto, onde amor-próprio e auto-estima se convertem em imagens fabricadas para os outros, para aceitação e inclusão social. Academias de musculação, cirurgias, silicones, consumo de moda, anabolizantes e hormônios: tudo incentivado pela indústria cultural, capaz de montar um corpo ideal como se constrói um destino (Idem). Os enigmas dos desejos se tornam capazes de construir destinos e levar uma nova geração de jovens a freqüentarem academias de musculação e associar “o aumento de seu volume muscular à conquista de respeito por si mesmo” (Sabino, APUD Bucci e Kehl, 2004, p. 176).

O DIREITO DE INFORMAR

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ÉTICA NO JORNALISMO
Redigido em 2007
Por Georgiana de Sá
Apurações durante curso de jornalismo

“O Código de Ética rege a conduta moral e legal do jornalista. A briga pela exclusividade da notícia e pela audiência, além da submissão, as vezes cega, de jornalistas aos seus patrões, pode afastar o profissional da esperada conduta moral”, opina o jornalistaHorácio Martins. Para o jornalista, a falta de ética na profissão gera notícias sem qualidade e fere a credibilidade do profissional, mediador entre os fatos e a sociedade. “Por medo de perder o emprego, por desobediência a ética do dono e dentro das regras econômicas do capitalismo, o jornalista corre o risco de transformar notícia em produto com valor mercadológico”, diz ele.


O cinegrafista Paulo Ozanan, aluno do curso de jornalista, acredita no apoio de sindicados e já se preocupa em filiar-se ao SJPMG - Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. “Criar um elo com a categoria é muito importante pra mim. É através do sindicato que terei apoio para uma atuação ética na profissão”.

O Decreto-Lei N.º 972, de 17 de outubro de 1969, dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista, prevendo critérios de remuneração e de funções desempenhadas por estes profissionais, na condição de empregados. Já a Lei nº 5.250, de 09/02/1967, regulamentada a liberdade de manifestação do pensamento e da informação, prevendo punições legais para aqueles que cometerem infrações tais como propaganda de guerra, de preconceitos de raça ou classes, divulgações de notícias falsas ou fatos deturpados, que ofendam a moral pública e os bons costumes. O artigo 21 deste Decreto proíbe ao jornalista difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação.

Para o funcionário público Aguinaldo José de Sá, 40, as penalidades para jornalistas antiéticos deveriam ser ainda mais rigorosas. Ele conta que seu pai, já falecido, foi vítima de difamação por parte do Jornal Estado de Minas. Aguinaldo lembra que uma matéria citava seu pai no envolvimento de desvio de cargas de caminhões. “O nome do meu pai foi citado em uma matéria sobre roubo de cargas, apenas com suposições, sem nenhuma prova contra ele. Depois disso, meu pai adoeceu, teve câncer e veio a falecer. Ficou provado na justiça que as acusações eram caluniosas e infundadas. Mesmo que a justiça tenha indenizado minha família, o dinheiro não vai trazer de volta meu pai”, lamenta.

Marciano Menezes da Cunha, 21 anos de profissão, do jornal “Hoje em Dia” e da Assessoria de comunicação da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social – SEDESE, acredita que a ética é a coerência na elaboração da notícia, tanto na captação dos dados quanto no trato com o entrevistado. “É preciso fazer um trabalho transparente, sem denegrir a imagem das pessoas. A ética do jornalista está ligada ao zelo que se deve ter com as fontes e com os próprios colegas”. Menezes acredita que cobrar preço abaixo do padronizado também é falta de ética. “É concorrência desleal com o colega cobrar preço bem abaixo do padrão para pegar o serviço de outro”, observa o jornalista.

Também segundo Menezes, a ética está cada vez mais em pauta no meio jornalístico. “A falta de ética está em todas as profissões. A maioria dos jornalistas que conheço procura fazer um bom trabalho e os poucos que agem de forma antiética, acabam prejudicando a imagem de toda a categoria”, opina ele. Filiado ao Sindicato dos Jornalistas, Menezes lamenta não ter tempo de participar de palestras e cursos sobre ética promovidos pelo SJPMG.

Para a jornalista e professora Hila Bernadete Rodrigues, 20 anos de profissão, a ética está relacionada à moralidade, virtude e boa intenção. Hila, que também é filiada ao SJPMG, defende que a conduta ética está acima dos códigos oficialmente estipulados. “Ética não é imposta, é conduta que você constrói” diz a professora, que citou como exemplo de conduta antiética os casos “Escola Base” e “ACM” (revista “Isto É”, quebra de off - caso Luiz Carlos Melo). Hila já foi freqüentadora dos cursos do SJPMG, sobre conduta ética, e hoje também lamenta a falta de tempo para se envolver com estes eventos. “É muito importante buscar informações e apoio no sindicado. Já precisei do Sindicato para questões de demissão e fui atendida”.

Elvira Maria Falabella de Castro trabalha como jornalista há 26 anos, atualmente está na ASSCOM - Assessoria de Comunicação da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social. Para a assessora, ética significa respeitar o direito e a individualidade de todos. “Nunca vivi uma situação que me comprometesse com relação a conduta ética, portanto nunca precisei do sindicato por esse motivo. Já procurei apoio quando fui demitida e o veículo que faliu não queria me pagar. Entrei com recurso no Sindicato e consegui o pagamento.” Elvira, também por falta de tempo, não freqüenta palestras ou cursos promovidos pelo sindicato sobre ética, contudo, acredita ser algo muito benéfico se filiar ao mesmo.

Marcos Jorge Barreto, Professor da Faculdade Estácio de Sá, jornalista há 21 anos, confia na ética como conjunto de princípios baseados em valores morais e de prática sociais que tenham como objetivo o respeito do bem comum e da verdade. Barreto lembrou o episódio em que o apresentador “Gugu” levou ao ar supostas entrevistas com o líder do grupo PCC , consideradas forjadas pela produção do programa. O professor, do mesmo modo que a assessora Elvira é filiado ao sindicato, e como os demais entrevistados, não participa dos eventos devido à falta de tempo. “Mesmo não comparecendo a cursos e palestras procuro ler as publicações que o sindicato disponibiliza sobre ética”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais - SJPMG, que funciona em Belo Horizonte, na avenida Álvares Cabral, 400, possui Estatuto e Comissão de Ética e Liberdade de Imprensa. O Estatuto do SJPMG tem como finalidade colaborar com o aprimoramento intelectual e profissional da categoria, além de oferece assistência jurídica aos filiados em suas relações trabalhistas. Já a Comissão de Ética é responsável pela aplicação de penalidades e advertências, que vão desde suspensão do profissional até sua eliminação do quadro do quadro social nos casos previstos no Código de Ética da categoria.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, votado em Congresso Nacional dos Jornalistas, está em vigor desde 1987 e fixa as normas de atuação do profissional nas suas relações com a comunidade, com as fontes de informação e com jornalistas. Nele estão relacionadas condutas consideradas anti-éticas e passíveis de punições, tais como o desrespeito ao direito à privacidade e a obrigatoriedade de ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, todas as pessoas envolvidas em acusações não comprovadas, feitas por terceiros e não suficientemente demonstradas ou verificadas (art.14).

Além do SJPMG, a FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas discute o aperfeiçoamento do Código de Ética dos Jornalistas brasileiros e possui espaço em seu site para propostas e interação através de consulta pública. Informações atuais podem ser acessadas no endereço eletrônico: http://www.fenaj.org.br/

Estágio Final da Evolução Intelectual


"A ignorância da sociedade do conhecimento"
Robert Kurz
Fichamento de Georgiana de Sá

O sociólogo alemão Robert Kurz fala sobre a ignorância da sociedade do conhecimento. Segundo ele, nunca antes houve tanta informação sendo transmitida por tantos meios ao mesmo tempo. Kurz lembra que o conhecimento, antes da modernidade, era transmito como algo sagrado, acumulado e transmito entre homens. No século XXI, a sociedade oferece um novo significado para o progresso intelectual. A interferência econômica na fluidez do conhecimento é traço marcante da modernidade, segundo explica o autor.

Nos universos da comunicação e da informação, as filosofias das mídias são diretrizes relevantes. Para explicar a participação das mídias no progresso do conhecimento, Kurz cita o alemão Norbert Bolz:
"Poder-se-ia falar de um big-bang do conhecimento. E a galáxia do conhecimento ocidental se expande na velocidade da luz. Aplica-se conhecimento sobre conhecimento e nisso se mostra a produtividade do trabalho intelectual. O verdadeiro feito intelectual do futuro está no design do conhecimento. E, quanto mais significativa for a maneira como a força produtiva se torne inteligência, mais deverão convergir ciência e cultura. O conhecimento é o último recurso do mundo ocidental".

Sobre o conhecimento trivial ele esclarece que embora também se trate de uma forma de conhecimento, mas também representam o colapso informacional que vive o homem na modernidade. A interface entre máquina e homem cria um novo meio para adquirir conhecimento, que, segundo o autor, precisa processar dados corretamente, antes de qualquer ato. Isso traduz o cotidiano do indivíduo, em um sistema eletrônico potente que produz acúmulo reduzido de informações. Este cotidiano também se sustenta pelo processamento de dados e sistemas, das chamadas máquinas inteligentes.

O Domínio das Tecnologias de Informação

A Sociedade de Informação
Autor: Gianni Vattimo
Fichamento de Georgiana de Sá


Na reflexão de Gianni Vattimo, a sociedade da informação caracteriza uma era em que a TI (Tecnologia da informação) se tona uma unidade, conforme expôs Marshal Macluhan "uma consciência única". O autor disserta sobre a rede global interligando unidades e criando uma consciência una. Na citação de Theodore Roszk o computador surgiu como símbolo de salvação, relíquia da era da informação.

A explanação de Norbert Wierner (1940/1950), inventor da cibernética e da "Teoria da Mensagem" - TI se refere ao individuo que vive, efetivamente, traduzindo a vida com informações adequadas. Para Wierner, a comunicação e o controle são partes da essência da vida interior do homem e de suas práticas sociais.

A chamada ‘defesa nacional’ usou a TI desde a 2.ª Grande Guerra, por necessidades militares do ocidente, como os detonadores remotos para bombas dos EUA. O fato é que não foi apenas o EUA que passou a usar a TI. Os computadores e satélites se tornaram aliados das empresas multinacionais, tão importantes quanto os operários.

Em 1950, os complexos industriais, militares e científicos se tornaram parte fundamental da história da sociedade da informação. Na Terceira Revolução Industrial a desvalorização do pensamento humano permitiu que computadores passassem a coordenar operações econômicas e políticas.

O telégrafo, o telefone, o gramofone, o cinema, o rádio e a TV foram manifestações que possibilitaram a exaltação do computador, símbolo supremo da era da informação. A esfera pública passa então a ser monitorada pelo mercado global, que cria e manipula o gosto do consumidor. TV, cabo, satélite se tornam potenciais instrumentos para a publicidade de massa (1930-1940).

Nos tópicos principais de "A Sociedade da Informação" está o conceito de cibernética, a teoria do controle da informação/mensagem e interface, e a análise da complexa relação ‘homem x máquina’. É possível compreender como as empresas tecnológicas passam a controlar a comunicação, fazendo da informação moeda de valor da modernidade.

Este controle gera uma crise, já que política, através do Estado e seu exército, a economia, por meio das empresas multinacionais, passam a controlar a informação. Gastos, dados, índices de lucratividades e monitoramentos diversos são ferramentas de núcleos econômicos e políticos de poder. O valor da informação é analisado como privatização do conhecimento, moeda, mercadoria que promove desigualdades e define condições sócio-econômicas do homem moderno. No século XIX, a informação é mais cara que a mercadoria, já que ela se torna mediadora de qualquer consumo.

O poder estatal aplica altos investimentos em suas forças armadas e o exército passa a contar com o que há de mais moderno em termos de tecnologia da informação. No campo político, o controle ideológico do "vote em mim" passar a se sustentar também na TI, unificando a democracia numa rede tecnológica de convencimento do outro. O autor deixa claro que a privatização da informação promove as desigualdades sociais e econômicas no globo.

Sobre a Teoria de Norbert Wierner, o autor fala que Wierner foi o inventor da cibernética e que a comunicação e controle se tornam partes da essência da vida interior do homem e das práticas sociais. Surge uma interconexão total, aonde a produção de conhecimento vai além do trivial. Um bom exemplo desta explanção seria o internauta que está conectado em rede, tendo ao seu alcance sons e imagens decodificadas. São paisagens, imagens e textos se surgem através de fluxos numéricos, viajando na velocidade da tecnologia digital, iludindo sentidos humanos. Na rede, os discursos geram imagens que, conseqüentemente, transmitem narrativas a partir de combinações numéricas 00101 – zeros e uns.

Ainda sobre a cibernética, o texto esclarece que se trata de uma contemporânea do computador (1952/pós-2.ª Guerra), surgindo como a tecnologia da comunicação que poderia salvar o mundo, como uma ciência patrocinada pelo mercado.

Sunday, May 18, 2008

PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE X ECONOMIA

Fonte : banco de imagens Google.


A proteção e uso sustentável dos recursos naturais do Estado foi assunto da oficina coordenada pela Amda - Associação Mineira de Defesa do Ambiente. A oficina, intitulada “Áreas Protegidas e Projetos de Grande Impacto Ambiental”, aconteceu no II Congresso Mineiro de Biodiversidade – Combio, nesta quinta-feira (24/04). O tema, eixo de debates no Congresso, atraiu a atenção do público que lotou o auditório montado no Expominas, batizado de “Sala Orquídeas”.


A apresentação foi um desdobramento das iniciativas da entidade, que tem trazido à tona debates sobre os conflitos resultantes de grandes projetos econômicos em áreas protegidas. “Vivendo acuados nas grandes metrópoles, bem ou mal, os seres humanos continuam com a idéia equivocada da natureza como eterna provedora de recursos naturais ilimitados”, disse a superintendente da Amda, Maria Dalce Ricas. Segundo ela, os empreendimentos econômicos de grande porte são os principais indutores de degradações em áreas de relevância ambiental.



Detectando danos e apontando soluções



“Encomendado à Universidade Federal de Lavras, o zoneamento econômico-ecológico de Minas Gerais apontou quais são as áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade no Estado, que não são muitas, e deveria estar sendo usado como ferramenta de gestão ambiental em processos de licenciamento. Mas, não basta isso. É preciso que o poder público se manifeste, instituindo diretrizes, instrumentos legais e políticas, de forma a proteger, preservar e recuperar o meio ambiente”, sugeriu.
Durante a oficina, a ambientalista citou histórico de vários casos de degradação em áreas consideradas de proteção ambiental do estado, decorrentes de atividades minerárias, indústrias, estradas e outros. “São extensos danos ambientais em complexos de cavernas de valor paleontológico e arqueológico, descaracterizações de regiões, desertificações, desmatamentos e queimadas. E, muitas vezes, não sabendo dos investimentos e acordos já firmados entre os grupos interessados, as entidades ambientalistas não conseguem agir preventivamente”, lamentou.


Expansão urbana e mineração ameaçam parque


A oficina contou com a participação do biólogo e membro do conselho consultivo da Amda, Francisco Mourão, que apresentou “Estudo de Caso com foco em grandes empreendimentos imobiliários e mineração no entorno do Parque Estadual da Serra do Rola Moça”. O biólogo mostrou mapas da cobertura vegetal e uso do solo no espaço geográfico do parque, localizado na APA-Sul/RMBH – Área de Proteção Ambiental ao Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Para falar da importância do Parque, Francisco ressaltou que a APA-Sul é parte do patrimônio natural, cultural, arqueológico e paleontológico de Minas e maior responsável pelo abastecimento de água na RMBH.
“Grande parte da vegetação é predominante campestre, composta de cerrados e campos de altitude. Os ambientes florestais, que hoje estão restritos, numa situação original ocupavam grandes extensões das superfícies mais baixas, a partir do sopé da Serra do Curral. À medida que as atividades econômicas e a ocupação humana se expandiram, seus fragmentos florestais foram ficando ilhados”. De acordo com ele, atividades de mineração e expansão urbana desordenada são as grandes ameaças do parque e seu entorno.
O biólogo defende investimentos econômicos mais compatíveis para a área, que possam conscientizar a sociedade da necessidade de combater a degradação ambiental e conservar seus recursos naturais. “Ainda pouco explorado, o Parque Estadual do Rola Moça tem potencial para o turismo ecológico, para proporcionar lazer e recreação em contato com a natureza”.



Cadeia produtiva atende à voz da sociedade


O presidente da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), José Cláudio Junqueira Ribeiro, participou dos debates e enfatizou que a sociedade é quem estimula e condiciona o consumo. “Os setores empresariais têm sido facilitadores e atendem os complexos desejos da sociedade de consumo. Indústrias de mineração e de transformação, produção de ferro gusa e uso de carvão vegetal. Toda essa cadeia produtiva existe para atender desejos. É a sociedade quem decide. Precisamos refletir sobre as origens das sobras e resíduos que poluem a atmosfera, os rios e os solos”.


José Cláudio mostrou ao público o teor do parágrafo 4.º, do Artigo 225 da Constituição da República, que trata da exigência de estudo prévio para atividades causadoras de impactos ambientais e a Resolução n.º 01/86, do Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente, que exige estudo de impacto ambiental para contemplar alternativas tecnológicas e de localização de empreendimentos. Na opinião do presidente, o Estudo e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental – EIA/RIMA são ferramentas importantes quando se analisa solicitação de Licença Ambiental.