Thursday, February 28, 2008

Falta de medicamentos condena pacientes à morte precoce

Com os altos preços da medicação e sem oportunidade de receber o remédio da rede pública de saúde, os pacientes em Minas Gerais podem morrer precocemente.


Segundo o médico pneumologista Frederico Thadeu A. F. Campos, a Hipertensão Arterial Pulmonar - HAP é uma doença grave das artérias pulmonares que ligam os pulmões ao coração. Ele explica que, embora a hipertensão pulmonar seja rara e sem cura, os medicamentos existentes podem mudar o curso da doença, possibilitando uma melhor qualidade de vida e um aumento de sobrevida.



O tratamento incluiu doses de medicamentos caros e nem sempre acessíveis ao poder aquisitivo de todos os pacientes. Atualmente existem, no Brasil, dois medicamentos com eficácia comprovada para tratamento HAP aprovados pela ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o problema é que estes medicamentos têm custo elevado e ainda não estão disponíveis na lista de medicamentos de alto custo do Ministério da Saúde, fazendo com que os pacientes tenham que recorrer a mandados judiciais para obtenção da medicação.



Para o especialista, após um diagnóstico preciso, a importância dos remédios é inegável. O médico acredita que Minas Gerais deve seguir o exemplo da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, que tem protocolo para controle e tratamento da HAP e possibilita acesso de medicamentos específicos para os pacientes da rede pública. "Precisamos normatizar a distribuição dos medicamentos com urgência. O tratamento consegue restituir a qualidade de vida. Caso a doença se desenvolva sem tratamento adequado pode levar à morte precocemente, entre 02 ou 03 anos", alerta o médico.



A Sociedade Brasileira de Pneumologia, Cardiologia e Reumatologia tem trabalhado em conjunto para criar um banco de dados sobre a doença em nível nacional, mas em seus levantamentos prévios já cadastrou de 60 a 70 pacientes em Belo Horizonte, atendidos nos hospitais Júlia Kubitschek e Madre Teresa. "Um estudo conduzido na França comprovou que existem 15 casos para um milhão de habitantes", acrescenta o pneumologista.



Ainda de acordo com o especialista, a síndrome, sem causa estabelecida, atinge um amplo perfil de pacientes, apresentando incidência, principalmente, em mulheres jovens de 20 a 40 anos. Ele informa que a HAP pode ser de natureza idiopática - HAPI, ou seja, não estar ligada a outra causa, ou associada a condições diversas. "Esquistossomose, Lúpus, complicações do vírus HIV, enfisema, embolia Pulmonar e Cardiopatias congênitas são algumas das doenças que podem levar à hipertensão pulmonar", explica.



Dentre os principais sintomas está a falta progressiva de ar que reduz as atividades diárias e a mobilidade. "Os sintomas são graves e prejudicam a qualidade de vida dos pacientes. A pessoa começa sentido falta de ar na prática de exercícios físicos mais intensos. Depois, o quadro evolui para cansaço e fadiga durante atividades rotineiras, como subir uma rampa, e vai progredindo até a falta de ar mesmo durante o repouso, acompanhada de dores no peito", esclarece.

Foto/texto: Georgiana de Sá

1 comment:

Paula Fernnandes said...

Olá,
Vim aqui por acaso. Estava lendo um texto um pouco antigo, que você escreveu sobre um amigo meu o Kadu. Muito bom!!!
Você escreve muito bem...
Beijos.
Ana Paula