Thursday, October 30, 2008

Ambientalista defende no Copam a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e do Cerrado em território mineiro

"Mata Atlantica - detalhe de um broto de folha de samambaia gigante(xaxim)". Por luizdemog. Disponível no www.flickr.com


Durante a 147ª Reunião do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), realizada nesta quarta-feira (29), a superintendente executiva da Amda, Maria Dalce Ricas, enfatizou que é preciso intensificar ações de combate aos desmatamentos nas áreas originais de vegetação nativa que restam no Estado.
Na ocasião, foram apresentados os resultados parciais do Projeto Estruturador de Recuperação da Mata Atlântica e Proteção do Cerrado. O gerente adjunto do Projeto, Luiz Carlos Cardoso Vale, expôs que os desmatamentos em Minas Gerais provocaram, só no ano passado, a perda de aproximadamente 50 mil hectares de vegetação na Mata Atlântica e no Cerrado. Para preservar estes biomas, o gerente afirmou que o Estruturador tem fomentado ações distintas, como a ampliação das áreas de vegetação nativa e promoção de conectividade entre os fragmentos florestais existentes.
Entre as medidas já praticadas, Cardoso citou a compra de mudas de cedro australiano e candeia para reposição florestal, além de 350 mil mourões para confecção de cercas, que devem ser colocadas em áreas com potencial para regeneração natural. “Vamos erguer cercas de proteção em nascentes para evitar o pisoteamento do gado”, completou. O gerente destacou ações comunitárias já implantadas, como os viveiros no município de Itamarandiba e o aspecto estimulante do Projeto, no que se refere aos incentivos a proprietários. Segundo ele, um dos maiores desafios do projeto é justamente criar alternativas para que os 550 mil produtores rurais existentes no Estado, principalmente os de baixa renda, continuem com renda sustentada pelos recursos naturais sem degradação ambiental. Além de insumos e mudas que estão sendo fornecidas gratuitamente aos proprietários, o gerente informou que foi instituído o pagamento aos agricultores pela prestação de serviços ambientais.
Avaliando os atuais resultados do Projeto, Maria Dalce Ricas advertiu que embora o reflorestamento auxilie no processo de recuperação da Mata Atlântica e do Cerrado, dificilmente vai recompor seus ecossistemas originais. De acordo com a ambientalista, o fundamental é a proteção de áreas de vegetação nativa. “Este é um projeto ambiental e não social. Ele pode agregar o produtor rural, mas este não deve ser seu foco. O principal objetivo e parâmetro a ser considerado deve ser a proteção à biodiversidade”.
Para a ambientalista, ocorrências de desmatamentos irregulares em conseqüência de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e de licenciamentos ambientais para a abertura de sistema viário, que envolve a supressão de vegetação nativa em remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado, são exemplos que não se interagem com políticas públicas voltadas à proteção do meio ambiente. “É preciso uma interação do Projeto Estruturador com outras políticas públicas”, considerou ela.
Por Georgiana de Sá - exclusivo para a Amda

1 comment:

pedro said...

Iniciativas como as apresentadas nesta reportagem, devem ser tomadas e inclusas no plano de atividades dos órgãos executores, sobretudo, a prioridade em Educação Ambiental em áreas criticas no Estado, apesar de que todas áreas são criticas, mas localidades como Itamarandiba, que possue elevada taxa de desmatamento da Mata Atlântica e do Cerrado, deve continuar sendo palco da realização de atividades como a Caravana Ambiental, projetos pilotos em preservação de nascentes e demarcação de áreas de regeneração natural.É o mais importante, ações voltadas neste sentido devem ser volatizadas através de parcerias no município. Segundo o INEP, este município ocupa o 1º lugar no Ranking do desmatamento da Mata Atlântica em MG, e para reverter este quadro, seria necessário bem mais do que ações emergências, ou a intensificação da fiscalização, que quase nada resolve, o importante para essa região seria a implatanção de um Centro Técnico, a exemplo de um CEFET, para a formação de profissionais aptos para atuarem com o desenvolvimento sustentável do setor florestal e agropecuário, na Região de Itamarandiba.